quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Desafios na Aquicultura!

Terão os piscicultores capacidade de fornecer ao mercado assegurando a proteção do consumidor, integridade ambiental e responsabilidade social nos países pobres?

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) manifestou esta segunda-feira a sua preocupação com o que a indústria da aquacultura possa enfrentar para satisfazer a procura mundial de pescado, com uma crescente população mundial a consumir mais peixe, e com os pequenos agricultores nos países pobres a enfrentarem dificuldades em exportar os seus produtos.

O setor da aquacultura ou da piscicultura terá de produzir 80,5 milhões de toneladas por ano só para manter o actual consumo per capita de peixe, segundo a FAO. Em 2006, os aquicultores produziram 51,7 milhões de toneladas, cerca de metade do peixe consumido em todo o mundo – que foi de 100 milhões.

“A questão continua a ser se o sector da aquacultura pode crescer suficientemente rápido, para sustentar a procura prevista para o peixe, assegurando simultaneamente a protecção do consumidor, mantendo a integridade ambiental e alcançando a responsabilidade social”, questiona-se um relatório da FAO.
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http://www.fatimamissionaria.pt/noticia3.php?recordID=16461&seccao=3
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E aí Aquicultores, vai ser ou tá difícil?!

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quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Projeto filma peixe a quase 8 km de profundidade

Cientistas japoneses filmaram um peixe que vive a 7,7 quilômetros de profundidade - a maior extensão onde já se encontraram espécies vivas. Até o momento, o peixe que vivia em águas mais profundas havia sido observado a sete quilômetros de profundidade.
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Conhecido como Pseudoliparis amblystomopsis, o peixe, de apenas 30 centímetros de comprimento, foi encontrado na costa japonesa do Oceano Pacífico.

A descoberta faz parte do projeto Hadeep, realizado em parceria pelas universidades de Aberdeen, na Escócia, e de Tóquio, no Japão, com o objetivo de varrer o fundo do mar em busca de criaturas que vivem em águas profundas e ampliar o conhecimento sobre a biologia no fundo dos oceanos.

Sobrevivência

Os cientistas têm trabalhado em uma área conhecida como zona hadal - a designação do fundo do mar situado a mais de 6 mil metros de profundidade, abaixo da zona abissal - explorando essas regiões profundas com sondas operadas por controle remoto e capazes de resistir às imensas pressões da água.

Os 'veículos submarinos' possuem ainda uma câmera acoplada para garantir o registro das espécies encontradas no fundo do mar.
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"Existe a questão sobre como esses animais vivem nessas profundidades", disse Monty Priede, da Universidade de Aberdeen.
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Priede cita três principais problemas para a sobrevivência em águas tão profundas:
"O primeiro é o suprimento de comida, que é bem remoto e vem de oito quilômetros acima; há também a pressão - eles têm de ter todo o tipo de modificações fisiológicas, principalmente no nível molecular. O terceiro problema é que as correntes formadas nessas profundidades são como pequenas ilhas em um grande abismo, e não sabemos se são grandes o suficiente para suportar as populações que crescem de maneira endêmica", acrescenta Priede.
O cientista afirma, no entanto, que os peixes parecem ter superado esses problemas.

Ativo

Os pesquisadores se dizem surpresos com o comportamento dos peixes em águas profundas:
"Pensamos que, pela profundidade, os peixes seriam relativamente inativos, armazenando a maior quantidade de energia possível e tudo mais, mas as imagens mostram os peixes se movendo, comendo com precisão, atacando as presas que passam pelo lado", conta Priede à BBC News.

"Ninguém jamais havia visto um peixe vivo nessas profundidades - apenas em conserva em museus e, depois que são retirados do fundo do mar, eles têm uma aparência miserável, mas esses peixes são muito bonitinhos." Priede
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O último peixe encontrado vivo na maior profundidade era o Abyssobrotula galateae, que foi retirado do fundo do mar em Porto Rico a mais de oito quilômetros, em 1970. No entanto, ao chegar na superfície, o animal já estava morto.
Alan Jamieson, da Universidade de Aberdeen, afirma que é "uma honra poder ver esses peixes".
Segundo ele, a equipe deverá encontrar ainda mais peixes durante a próxima expedição, marcada para março de 2009, que vai explorar a área entre 6 mil e 9 mil metros de profundidade.

"Ninguém nunca foi capaz de ver essas profundidades antes - acho que vamos encontrar peixes vivendo em águas muito mais profundas", conclui o pesquisador.

Portal G1

domingo, 28 de setembro de 2008

Ostras na Merenda Escolar

Escolas municipais de Florianópolis começaram a testar, na quarta-feira (24), a proposta de oferecer ostras na merenda. O molusco, no entanto, só poderá fazer parte do cardápio das escolas se 85% dos alunos aprovarem, de acordo com determinação prevista em uma lei.

O teste alimentar é uma experiência inédita no Brasil e começou com os alunos da escola Luiz Cândido. Na quinta-feira (25) e nesta sexta-feira (26), escolas dos bairros Itacorubi, Coqueiros, Canto da Lagoa e Ribeirão da Ilha experimentam a novidade. Mais de 800 alunos participam dos testes.

De acordo com o secretário municipal de Educação, Joaquim Pinto da Luz, há cerca de 20 anos, as ostras eram uma raridade em Florianópolis. Nas últimas décadas, no entanto, pesquisas realizadas pela Universidade Federal de Santa Catarina e o incremento do cultivo de ostras de cativeiro transformaram a cidade no maior pólo produtor do molusco do país.


Ostras são testadas em escolas municipais de Florianópolis

(Foto: Susi Padilha/Diário Catarinense/Agência RBS)


Combate à obesidade infantil

A experiência nas escolas é resultado de uma parceria entre o Instituto de Geração de Oportunidades de Florianópolis e a Secretaria Municipal de Educação. Segundo o presidente do instituto, Edson Lemos, a iniciativa ajudará os maricultores locais a escoar a produção. ‘’Essa proposta abre um novo mercado para os produtores locais e vai ajudar no combate à obesidade infantil, já que a ostra é um alimento de baixa caloria’’, afirma.

Se a aceitação for boa por parte dos estudantes, a ostra deverá entrar na alimentação escolar já no próximo ano. A intenção é adquirir dos produtores locais cerca de 700 quilos do molusco por mês (sem casca), o que representará na cadeia produtiva a comercialização de quase sete toneladas de ostras por ano.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Ostra atesta crime ecológico pré-histórico

Cientistas descobriram no mar Vermelho a prova viva daquele que pode ser o mais antigo crime ambiental do ser humano: uma nova espécie de ostra gigante, mas que surge já quase extinta. O achado do raríssimo molusco tornou possível identificá-lo como uma espécie distinta, que até agora não havia sido reconhecida como tal.
Fósseis da ostra, batizada com o nome científico Tridacna costata, indicam que ela chegou a representar mais de 80% do total desse tipo de animal na região. Os espécimes conhecidos indicam que hoje ela constitui menos de 1% dessa fauna - foram encontradas apenas 6 delas em 1.000 ostras vivas investigadas.


O estudo foi feito por pesquisadores da Alemanha, das Filipinas e da Jordânia, chefiados por Claudio Richter, do Instituto Alfred-Wegener de Pesquisa Marinha e Polar, de Bremerhaven, Alemanha. O relato está publicado na última edição do periódico científico "Current Biology".
Outros fatores podem ter ajudado a causar o declínio da população da Tridacna costata, mas os dados disponíveis permitem concluir que ela foi vítima da exploração abusiva pelo homem pré-histórico.
"Durante uma janela de tempo, entre 140 mil e 110 mil anos atrás, o clima em geral era mais úmido, o que pode ter resultado em aumento da população na África. A mudança climática resultante pode então ter levado à dispersão humana ao longo da costa, onde moluscos marinhos de água rasa podem ter sido uma parte importante da dieta", disse Richter à Folha.
O fato dessa ostra viver praticamente apenas em áreas rasas facilitou sua coleta pelo ser humano durante as migrações ao longo da costa africana do mar Vermelho durante o último período entre eras glaciais, cerca de 125 mil anos atrás.


Por acaso
A descoberta da nova espécie foi acidental. A ostra foi encontrada como parte dos estudos para o cultivo de uma outra espécie de interesse comercial. As diferenças de forma entre ambas atraíram a atenção dos pesquisadores, que também fizeram análises genéticas dos espécimes para verificar se se tratava de nova espécie.
Indícios fósseis de conchas de ostras mostram que, no período entre 110 mil e 90 mil anos atrás, o consumo desses moluscos facilitou a dispersão do ser humano anatomicamente moderno (Homo sapiens) da África para o mar Vermelho.
Mas, mesmo antes disso, a Tridacna costata já estava sendo dizimada, e eventualmente a diminuição dos recursos marinhos acabou afetando negativamente a colonização humana da região. "A competição por recursos escassos devido à coleta excessiva, juntamente com a deterioração do clima, pode ter finalmente interrompido essa dispersão humana precoce na região do Levante", diz o pesquisador alemão.
A análise feita pela equipe com as conchas achadas na região indicou que, se antes da chegada do ser humano a Tridacna costata correspondia a 80% de três espécies de ostras gigantes, a proporção foi caindo para menos de 70% no começo da ocupação humana (entre 135 mil a 115 mil anos atrás). As outras espécies --Tridacna maxima e Tridacna squamosa- já eram mais de metade no período histórico e responderam por 95% das conchas observadas em um sítio recente ocupado por beduínos.



Outras explicações
"Essa variação entre as espécies pode ser causada por outros fatores além da predação humana --por exemplo, doença. Seria importante olhar toda a comunidade do recife, não apenas as ostras gigantes, para detectar mudanças gerais nas abundâncias de espécies como as induzidas pela mudança climática", diz Richter.
Mas ele acrescenta que há linhas de evidência apoiando a hipótese de superexploração humana, como a tendência a espécimes de tamanho menor e a proporção entre os números das três espécies.
Richter lembra que a Tridacna costata é a mais vulnerável das três espécies e que não parece haver nenhuma predação natural significativa das ostras gigantes depois que elas atingem um bom tamanho. Um predador é o polvo, mas que não chega a ter grande tamanho no mar Vermelho.


RICARDO BONALUME NETO da Folha de S. Paulo